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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

e livros

Bulbula ficou nas saias da mãe por toda a infância. Por sofrer de uma doença misteriosa nunca teve que fazer muitas coisas, foi como se a vida tivesse desistido dela. Ninguém se importava com Bulbula, ninguém brincava com ela, ninguém pedia ajuda a ela.

Poucos tinham assunto para conversar com Bulbula. Aquela mulher de trinta anos parecia sofrer de uma inércia peculiar, como se estivesse se arrastando pela vida, ou para fora dela. Seus olhos eram grandes e vazios e ela quase sempre ficava com a boca semi-aberta, o lábio inferior pendendo, dando a impressão de estar prestes a dormir. No máximo, Bulbula acompanha as conversas dos outros, a vida dos outros, mas sem mostrar grande entusiasmo.


Asne Seierstad; O Livreiro de Cabul

Um comentário:

Raquel Leão disse...

uiaaa!! tá lendo nas férias!!! que progresso!!!! ehehehe! =D